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Entrevista Nuno Gomes

por eternoNunoGomes21, em 16.09.11

 

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O sorriso estampado na t-shirt que vestia ontem dizia tudo: Nuno Gomes estava feliz da vida, escassas horas depois de marcar os primeiros golos pelo Braga. No Estádio AXA voltou a ter motivos para sorrir. Sente-se bem no clube e na cidade, onde reside com a esposa e o filho.

 

 

Por que escolheu o Braga?

Por razões pessoais não queria ir para muito longe da família e o Braga foi um dos primeiros clubes a manifestar interesse em que viesse. O presidente António Salvador insistiu várias vezes e, por isso, acabei por aceitar. O facto de o Braga querer manter o que fez nos últimos anos também pesou, pois vim para uma equipa competitiva, que me permite jogar mais vezes e, por isso, considero que fiz uma boa aposta.

 

Ficou a perder dinheiro?

[Sorriso] Sem dúvida. No entanto, na fase em que estou da carreira, o dinheiro não é muito importante.

 

O Sporting foi uma das hipóteses?

Não. Nunca ninguém do Sporting falou comigo.

 

Ao longo da carreira, quantos convites teve de outros grandes portugueses?

Isso era para escrever um dia num livro... [Risos]. Do Sporting, tive apenas uma vez: quando vim da Fiorentina para Portugal. Do FC Porto, umas duas ou três vezes: quando sai do Amarante para o Boavista, antes de sair do Boavista para o Benfica e depois quando regressei de Itália.

 

Nessa altura, por que optou pelo Benfica?

Porque o Benfica era o meu clube, era o clube que já conhecia e no qual me senti muito bem nas três primeiras épocas. Portanto, foi um regresso natural a uma casa onde gostei muito de viver durante três anos e onde era muito desejado pelos adeptos.

 

O que sentiu quando marcou o primeiro golo?

É sempre bom para um avançado. Não começámos bem o jogo. A primeira parte não foi bem conseguida, mas entrámos melhor na segunda parte e adivinhava-se a qualquer momento o nosso golo. Esse golo foi importante para desbloquear o resultado e para abrir o jogo. Pessoalmente, senti uma alegria enorme, porque foi o meu primeiro golo pelo Braga.

 

Foi uma sensação de alívio?

Foi, apenas porque queríamos ganhar e a bola não entrava. Sei que esperam de mim muitos golos e ainda não tinha marcado, mas também só tinha feito dois jogos a titular, com o Rio Ave e o Young Boys. Nos outros três jogos fiz 20 e tal minutos. Portanto, a contabilidade não pode ser cinco jogos sem marcar.

 

Recebeu muitas mensagens?

Recebi muitas mensagens dos meus amigos, da família e de pessoas que gostam de mim e que me quiseram dar os parabéns pelos golos.

 

Quais foram as mensagens mais importantes?

Foram as mensagens da minha família, porque são eles que sofrem mais por parte e na pele aquilo que um jogador passa. Eles pagam por tabela quando as coisas correm mal, daí que mereçam estar felizes quando as coisas correm bem.

 

Dedicou os golos a alguém?

Dediquei a mim próprio e à equipa, porque era um golo que estava à procura. Sendo avançado, é importante marcar para entrar no trilho certo dos golos. Foi importante marcar, mas mais importante foi ajudar a equipa a conquistar os três pontos e a andar nos lugares cimeiros.

 

Disse que o Braga tem uma estrutura idêntica à dos grandes. Considera que é um candidato ao título?

Em termos estruturais e condições para os jogadores, o Braga tem capacidade para lutar pelo título. Neste momento ainda é cedo para falarmos nisso. O objectivo é estar na luta pelos primeiros lugares e isso tem capacidade para fazê-lo.

 

Numa análise aos grandes, como tem visto o desempenho do FC Porto?

Não vejo o FC Porto tão forte como na época passada, mas vejo um FC Porto a fazer o que lhe compete fazer, que é vencer. Por isso é que é líder isolado do campeonato e um forte candidato ao título.

 

E o Benfica?

O Benfica teve um mau início contra o Gil Vicente, quando, depois de estar a ganhar 2-0, deixou fugir os três pontos, e agora tem de correr atrás do FC Porto. Mas vejo um Benfica forte e com condições para lutar pelo título.

 

E o Sporting?

O Sporting fez um investimento muito forte na equipa, mudou muitos jogadores, mudou de treinador, por isso, é normal haver um período de adaptação do treinador à equipa e vice-versa. Como começou mal, está obrigado a correr atrás do prejuízo e este jogo, em Paços de Ferreira, pode ser o clique que faltava a uma equipa que tem excelentes jogadores, mas que nos jogos que fez ainda não conseguiu traduzir a sua qualidade.

Quando encontrar Jorge Jesus, vai cumprimentá-lo?

Não vejo por que não o devo fazer. Concordando ou não com ela, respeito sempre a opção do treinador, porque, para mim, ela é soberana.

Deve ser revoltante para um jogador ver um treinador não festejar os golos que marca, como aconteceu quando marcou ao Aves e ao Paços de Ferreira, ou não?

Não reparei nisso, porque estava no campo... Agora, se não festejou, não creio que seja algo contra mim. Cada um festeja à sua maneira.

 


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O que sentiu quando voltou à Selecção Nacional, contra o Luxemburgo?

Foi uma alegria enorme. Não vou esconder que tinha saudades daquele ambiente e de vestir novamente a camisola da Selecção. Fiquei muito feliz por ter regressado e por poder fazer parte das opções do seleccionador, nos últimos dois anos estive completamente arredado dessas opções, porque raramente joguei.

 

Guardou a camisola ou ofereceu-a a alguém?

Por acaso guardei. Está lá em casa e vai ficar para mim.

É uma das poucas ou das muitas que tem da Selecção?

Se calhar, contam-se pelos dedos de uma mão as camisolas que tenho, porque os pedidos são sempre muitos e eu tento satisfazer as pessoas. No entanto, as mais significativas guardei-as para mim, porque um dia quero mostrá-las aos meus netos e aos meus filhos.

Mesmo não tendo jogado, o último jogo foi assim tão marcante ao ponto de ter guardado a camisola?

Por acaso estive indeciso entre dar ou não, porque uma pessoa chegou a pedir-me. Na altura pensei: posso dar esta, porque vou voltar cá outra vez e guardo a próxima [risos]. Mas, pelo sim pelo não, guardei-a na mesma, porque nunca se sabe.

Acredita que os golos que marcou contra o Gil o podem ajudar a regressar à Selecção?

Tenho sempre esperança de voltar à Selecção. Neste momento estou a jogar mais do que fazia no Benfica e para a minha posição existem apenas os jogadores que têm sido convocados, embora, por muito que algumas pessoas digam o contrário, acho que Portugal está bem servido de pontas-de-lança. O Hugo Almeida, o Postiga, o próprio Cristiano Ronaldo, o João Tomás, eu, o Nélson Oliveira, que me parece que será o próximo ponta-de-lança da Selecção... Portanto, espero poder continuar fazer parte das opções e, para isso, só tenho de jogar o mais possível no Braga e fazer golos.

 

Sente que continua a ser um fenómeno de popularidade?

As pessoas de Braga têm-me apoiado imenso na rua e no estádio. Os adeptos do Braga são fervorosos e estão atentos a tudo. Só espero retribuir dentro do campo todo o carinho que me têm manifestado. Ser um fenómeno de popularidade está relacionado com o facto de eu jogar há muitos anos no nosso campeonato, ter uma carreira na nossa selecção e ter conseguido algumas coisas e alguns golos na nossa selecção.

 

Surpreende-o o facto de ser o jogador do Braga que mais camisolas vende?

Acho que é uma situação normal, até porque também fui uma das apostas do presidente. Sinto que a maioria das pessoas gostam da minha maneira de estar, de jogar e, portanto, sinto orgulho por saber que as pessoas compram a minha camisola.

 

O que sentiu quando ouviu António Salvador dizer que o contratou a pensar no plano desportivo, mas também no de marketing?

É um sinal de que o próprio clube está a crescer em várias frentes e não só dentro do campo. O Braga tem uma estrutura muito forte e muito idêntica aos clubes grandes. Portanto, o marketing de um clube também é importante em termos financeiros, para que vá fazendo face ao que precisa de gastar para ter uma equipa forte. Acredito que tenha sido nesse sentido que o presidente falou, mas estou mais preocupado com o que possa render dentro do campo e menos com o número de camisolas que possa vender.

 

A ideia que começa a surgir é que o entendimento com Lima é cada vez melhor e que são cada vez menos rivais. Confirma?

[Sorriso] Não somos rivais. Somos apenas jogadores da mesma posição, tal como o Meyong e o Carlão. Não podem jogar todos e cada um saberá esperar a sua oportunidade, até porque há muitos jogos e todos terão a sua. Agora, o Lima está num excelente momento de forma, remata muito bem, tem muita velocidade e é verdade que me tenho entendido bem com ele.

 

O 4x4x2 seria o melhor esquema para encaixar os dois?

Não quero entrar muito por aí. Ao longo da minha carreira sempre disse que preferia jogar num 4x4x2, mas jogar com jogadores como o Hélder Barbosa e o Alan, que estão em boa forma, também dá muitas soluções à equipa. Portanto, o treinador pode pensar no onze que julgue que deva jogar.

 

Já digeriu a saída do Benfica ou ainda lhe custa olhar para trás?

Não nego o meu passado ao Benfica. Foram 12 épocas que estive ao serviço do clube, conquistei algumas coisas, perdi outras, mas, acima de tudo, fiz muitos amigos e tenho uma relação muito boa com todos os adeptos do clube. Mas sim, já digeri. Saí naturalmente, respeitando a opção que o treinador fez.

 

Sente que ainda tinha valor para continuar no clube?

Sim. Decidi continuar a jogar futebol, porque sinto que ainda tenho valor para jogar e corresponder à exigências do futebol profissional.

 

Na altura disse que só a família sabia o que sentiu quando soube que não ficaria no Benfica. Hoje já o pode revelar?

São momentos íntimos, que não gosto de expor.

 

O regresso ao Benfica, noutras funções, é possível?

Sinceramente, não consigo responder a essa pergunta. O futuro a Deus pertence.

 

A porta ficou aberta?

Eu saí de boas relações com os adeptos e, pelo que vivi e pelo que sofri, é inegável o meu passado ao clube. Agora, não digo que voltarei ou não, porque não sei o que será o meu futuro.

 

 

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O que quer ser no futuro?

Jogar futebol foi sempre o que mais gostei de fazer, foi a minha vida, mas sei que tudo tem um término. Portanto, gostava de continuar ligado ao futebol.

 

Vê-se no papel de treinador?

Antigamente, quando me faziam essa pergunta, respondia de forma seca "não". Agora, não sei. Já me vi mais longe de vir a ser treinador.

 

Já se inscreveu em algum curso?

Por acaso vou inscrever-me no curso de II Nível, porque o de I Nível tive a sorte de o tirar na Selecção Nacional. A minha dúvida é se o faço ou não enquanto jogador, porque ainda não queria dispersar-me muito do que gosto de fazer.

 

Como foi tratar Paulo Bento como treinador, depois de o ter tratado quase por tu?

Foi com naturalidade que vi como treinador, até porque ele é muito mais velho que eu [sorrisos]. Vejo-o como o meu seleccionador e não como antigo colega. Mas continua o mesmo Paulo Bento que conheci. Já quando fomos colegas na Selecção ele evidenciava a personalidade que tem hoje, muito vincada, e, pela forma como falava com os colegas, notava-se que tinha perfil para ser treinador.

 

Surpreendeu-o o que aconteceu com Ricardo Carvalho, outro amarantino, e com Paulo Bento?

Não queria alongar-me muito sobre isso, porque não estive presente no estágio. Mas posso dizer que o Ricardo Carvalho é aquilo. Mesmo as pessoas que não o conhecem conseguem tirar-lhe a fotografia, é um jogador que sempre foi humilde e que trabalhou muito para chegar onde chegou. Acho que ele deve estar arrependido do que fez, tenha ou não razão. No entanto, é um jogador que deu muito na Selecção, é meu conterrâneo e eu gosto dele. Ele é um orgulho para todo o povo amarantino.

 

Que opinião tem do João Tomás e a possibilidade de ele voltar à Selecção, atendendo a que têm praticamente a mesma idade?

Acho que é legítimo ter essa esperança e essa vontade de representar a Selecção Nacional. Fez uma excelente época, em que foi o melhor marcador português, por isso, é normal que ele queira ir e que espere uma chamada. Tudo depende do que se rende semanalmente.

 

Em Itália e em Inglaterra parece que a idade não conta. Custa-lhe ouvir o termo "veterano Nuno Gomes"?

É normal em Portugal chamar-se veterano a um jogador de 35 anos, porque por essa altura as carreiras de um jogador estão terminadas ou quase a terminar. Mas eu sinto-me um jovem e, portanto, que me chamem o jovem veterano. [risos].

 

 

Entrevista Exclusiva

in O Jogo.

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1 comentário

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De Gabrii. a 20.09.2011 às 08:36

que venham golos do 'jovem veterano' :)

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Bem-Vindo

Criei este blog com o objectivo de dar a conhecer ás pessoas todo o percurso do Nuno Gomes, um jogador que é conhecido por toda a comunidade Benfiquista, e também um pouco por todo o mundo. Espero que visitem e usufruam deste blog, o Nuno merece!

Obrigada.
Carolina Saraiva.


O Blog!

O principal objectivo deste blog é mostrar a todos o meu carinho e dedicação pelo Nuno Gomes. Este espaço estará sempre que possível actualizado com as últimas noticias e com tudo o que de importante há para referir em relação à sua carreira. Neste momento o Nuno já deixou de jogar futebol, estando agora ligado ao Benfica como Assessor para área internacional. Com este espaço pretendo recordar momentos antigos que tanta glória e alegria trouxeram ao nosso futebol.

Nuno Gomes


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Nome: Nuno Miguel Soares Pereira Ribeiro.
Número (camisola): 21.
Posição: Avançado.
Nascimento: 05-07-76 Ordem do Carmo - Porto.
Idade: 35 anos.
Naturalidade Amarante.
Altura/ Peso: 76kg - 1.81cm.
Ídolo no futebol: Van Basten, Fernando Gomes.
Jogo Inesquecível: Portugal-França, meia-final Euro 2000.
Golo mais bonito Portugal-França, meia-final Euro 2000; Portugal-Espanha Euro 2004.
Se tivesse outra profissão: Jornalista Desportivo.
Clubes que representou: Amarante FC, Boavista, Fiorentina, SL.Benfica, SC.Braga, Blackburn Rovers.

Selecção Nacional


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79
Internacionalizações

29
Golos Marcados


Clubes/Golos


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Boavista 31 golos.
Fiorentina: 20 golos.

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SLBenfica 183 Golos. (jogos oficiais e amigáveis)
SC.Braga 9 Golos. (jogos oficiais e amigáveis)

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Blackburn Rovers 6 Golos. (jogos oficiais e amigáveis)

Carreira/Palmarés

Boavista

- Campeão nacional de juniores;
- Vencedor Taça de Portugal.

Fiorentina

- Vencedor Taça Itália.

S.L.Benfica

- Vencedor Taça de Portugal;
- Campeão Nacional 2004/2005;
- Finalista vencido da Taça de Portugal 2004/2005;
- Vencedor da Supertaça Cândido de Oliveira;
- Vencedor da Taça da Liga 2009;
- Vencedor da Taça da Liga 2010;
- Campeão Nacional 2009/2010.
- Vencedor da Taça da Liga 2011.

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